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As Três Iniciativas Mais Disruptivas da Banca na América Latina em 2023
Publicado pela Fintech Americas em 6 de jun. de 2023
Conheça os vencedores dos Prêmios Disrupt durante a 8ª edição dos Prêmios aos Inovadores Financeiros nas Américas.
Na América Latina, a inovação nunca para. Ela é uma força vital que nos move e nos define. Somos apaixonados por usar a criatividade para superar obstáculos com os recursos disponíveis, sempre apostando em impacto positivo.
Na Fintech Americas entendemos o papel fundamental da inovação no desenvolvimento da indústria financeira e, por isso, há oito anos homenageamos essa transformação por meio dos Prêmios aos Inovadores Financeiros nas Américas. Uma iniciativa que reconhece líderes, equipes e instituições mais disruptivas, que estão quebrando barreiras, desafiando normas estabelecidas e oferecendo soluções financeiras revolucionárias.
A cerimônia de premiação aconteceu no dia 4 de maio durante a conferência . Foi um dos momentos mais emocionantes do evento, pois, entre os vencedores dos Prêmios País para as iniciativas bancárias mais inovadoras (anunciados previamente em 5 de abril), foram revelados os três projetos com maior pontuação geral, independentemente do país de origem, tornando-se vencedores dos Prêmios Disrupt.
Os Prêmios Disrupt representam o maior reconhecimento às inovações financeiras mais ousadas da América Latina. Os vencedores de 2023 foram:
- Banco Azteca (Prêmio Platina)
- Bancolombia (Prêmio Ouro)
- Mibanco (Prêmio Prata)
As iniciativas lideradas por essas organizações são extremamente importantes porque demonstram como a inovação pode ser aplicada para criar um ecossistema financeiro mais eficiente, rápido e inclusivo na América Latina. São projetos que refletem a capacidade da região de se adaptar continuamente às mudanças e permanecer na vanguarda.
Prepare-se para conhecer mais sobre essas iniciativas, por que elas venceram e o impacto direto que estão tendo na vida de milhões de latino-americanos.
Prêmio Disrupt 2023 Platina: Humberto San Juan Sosa, Diretor de Câmbio do Banco Azteca (México)
Categoria: Blockchain
O Banco Azteca venceu o prêmio Platina com o projeto “Rastreabilidade de Transações de Câmbio no Varejo”, iniciativa que busca garantir integridade, imutabilidade e confiabilidade das informações relacionadas a essas movimentações financeiras.
Utilizando tecnologia Blockchain, o banco rastreia e integra todos os processos associados às operações: desde o caixa, informações do cliente, compliance regulatório, prevenção à lavagem de dinheiro, digitalização, back office e tesouraria, até exportações.
No México, o negócio de câmbio gera acúmulo de dinheiro em espécie (maior volume de compra do que venda), exigindo processos de repatriação. Isso faz com que o setor seja altamente regulado e precise atender diretrizes internacionais, de bancos centrais e de bancos correspondentes estrangeiros.
Para solucionar esse desafio, o Banco Azteca desenvolveu uma plataforma operacional e de gestão que permite que cada transação seja criada com um hash único (gênese digital), capaz de identificar toda a jornada da movimentação em dinheiro — desde sua origem em qualquer uma das mais de 7.700 agências espalhadas pelo México até a liquidação eletrônica do envio do dinheiro exportado.
Esse processo garante:
- integridade das informações;
- origem lícita dos recursos;
- prevenção à lavagem de dinheiro;
- conformidade regulatória;
- manutenção das relações com bancos correspondentes internacionais.
Além disso, o projeto aumentou significativamente a eficiência operacional, reduzindo custos e acelerando processos de liquidação e geração de documentação para exportação de valores. O esforço administrativo necessário para aprovação de remessas também foi reduzido graças à confiabilidade proporcionada pela tecnologia.
A iniciativa do Banco Azteca representou um enorme avanço na aplicação de Blockchain e Big Data para modernizar operações bancárias diárias — motivos que levaram a instituição a conquistar o maior prêmio de inovação financeira da América Latina.
Prêmio Disrupt 2023 Ouro: Santiago Ceballos Aristizabal, Diretor de Pagamentos Sem Fricção da Bancolombia (Colômbia)
Categoria: Inclusão Financeira
A Bancolombia recebeu o prêmio Ouro pelo projeto “Democratizando os Métodos de Pagamento Digitais para Pequenos Comerciantes da Colômbia”.
Na Colômbia, muitos pequenos negócios dependem fortemente de dinheiro em espécie para receber pagamentos, seja porque soluções tradicionais como maquininhas são caras demais, seja porque operam na informalidade e não possuem contas bancárias.
Como consequência:
- pequenos comerciantes perdem vendas porque clientes não possuem dinheiro físico;
- há dificuldade em fornecer troco;
- muitos desses empreendedores têm acesso limitado ao crédito.
A solução criada pelo Bancolombia foi oferecer um método alternativo de pagamento via QR Code, seguro, acessível, conveniente e fácil de usar. Basta que o comerciante tenha uma imagem do código QR para começar a receber pagamentos digitais.
O impacto foi extremamente relevante:
- a iniciativa ajudou a reduzir a dependência de dinheiro físico no país de 90% em 2018 para 75% em 2021;
- promoveu inclusão financeira em larga escala.
Além disso, as informações transacionais passaram a permitir que o banco conhecesse melhor esses clientes, possibilitando oferecer produtos de crédito adequados para expandir seus negócios e melhorar sua qualidade de vida.
Prêmio Disrupt 2023 Prata: José Miguel de la Peña, Tribe Leader of Segments and Products da Mibanco (Peru)
Categoria: Inclusão Financeira
A Mibanco conquistou o prêmio Prata com o projeto “Crédito Mujer”, um produto financeiro desenvolvido para empoderar mulheres no Peru por meio do acesso ao crédito.
A solução combate a exclusão financeira enfrentada por mulheres casadas no país, onde tradicionalmente os bancos exigiam autorização do marido para concessão de empréstimos — uma prática que frequentemente resultava em controle financeiro e violência de gênero.
Para criar o Crédito Mujer, o Mibanco precisou romper com duas políticas amplamente adotadas no sistema bancário peruano:
- Renda complementar do lar gerada pela esposa normalmente não era considerada renda independente elegível para crédito. O Mibanco passou a reconhecer oficialmente a renda gerada pelas mulheres dentro da economia familiar.
- O banco alterou suas políticas de risco para considerar mulheres casadas como independentes para fins de crédito, eliminando a exigência da assinatura do marido como requisito obrigatório para aprovação de empréstimos.
A iniciativa foi criada para mulheres que precisam de financiamento para expandir seus negócios e conquistar independência econômica.
Atualmente:
- 20% das clientes do Crédito Mujer são empreendedoras independentes, majoritariamente informais;
- 80% são proprietárias de pequenos negócios.
O Mibanco conseguiu ampliar significativamente a inclusão financeira feminina no Peru, permitindo que mulheres expandam seus negócios e gerem maior bem-estar econômico para suas famílias.
Esse foi o primeiro produto de crédito voltado especificamente para aumentar a participação feminina no sistema financeiro peruano. Hoje, 30% das mulheres que obtiveram crédito pela primeira vez no país o fizeram por meio do Crédito Mujer.
Você tem uma iniciativa inovadora para indicar? Talvez sua organização seja a próxima vencedora dos Prêmios aos Inovadores Financeiros nas Américas.
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