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Apple Vision Pro e a Adaptação do Setor Bancário

Publicado por Fintech Americas em 27 de jun. de 2023

Descubra o que é o Apple Vision Pro e como aproveitar os benefícios da Computação Espacial no seu banco.

A Apple fez isso mais uma vez!

Há algumas semanas, a empresa fundada por Steve Jobs — que já revolucionou repetidas vezes a forma como interagimos com a tecnologia com o lançamento do iPhone (2007) e do iPad (2010) — anunciou um novo produto com potencial tão disruptivo quanto revolucionário: os óculos de Realidade Aumentada Apple Vision Pro, apresentados como o primeiro computador espacial da marca.

A notícia abalou o mundo e recolocou a Realidade Aumentada e a Computação Espacial ("espacial", neste caso, em referência ao ambiente e não ao espaço sideral) no centro das atenções, deslocando temporariamente o foco que a mídia vinha dando ao ChatGPT e à Inteligência Artificial para esse novo dispositivo.

O interesse por essas tecnologias não é por acaso. O potencial da Realidade Aumentada é tão grande que estima-se que esse mercado passe dos atuais US$ 41 bilhões para US$ 860 bilhões até 2030. O da Computação Espacial é ainda maior, com projeções de crescimento de até US$ 620 bilhões até 2032.

Esses números deixam algo muito claro: espera-se que ambas as tecnologias ganhem um protagonismo muito maior do que têm hoje em nossas vidas, tanto no âmbito pessoal quanto profissional.

Ainda é cedo para prever se esse tipo de óculos se tornará tão comum quanto os smartphones. No entanto, considerando que o iPhone foi lançado em 2007 e que, em 2023, já existem cerca de 1,3 bilhão de usuários e quase 7 bilhões de smartphones no mundo, vale a pena se preparar. Especialmente em um setor como o bancário, que está sempre buscando inovar e atender às novas demandas dos clientes.

Por onde os especialistas em Computação Espacial e Realidade Aumentada recomendam que os bancos comecem?

A seguir, apresentamos as principais estratégias para evitar contratempos, alinhar-se aos objetivos de negócio e obter os máximos benefícios dessas tecnologias emergentes no setor financeiro.


O que é Realidade Aumentada e como ela se Relaciona com a Computação Espacial

A Realidade Aumentada (RA) é uma tecnologia que combina o mundo real com elementos virtuais, permitindo aos usuários experimentar uma versão aprimorada do ambiente ao seu redor.

Diferentemente da Realidade Virtual (RV), que cria um ambiente totalmente virtual, a RA sobrepõe informações digitais ao mundo real por meio de dispositivos como smartphones, tablets ou óculos especiais.

A RA utiliza técnicas avançadas para identificar e acompanhar objetos no ambiente. Em seguida, sobrepõe informações relevantes sobre esses objetos em tempo real, proporcionando uma experiência interativa e enriquecida. Essas informações adicionais podem incluir imagens, textos, vídeos, modelos 3D e outros elementos multimídia.

A Computação Espacial, por sua vez, refere-se à interconexão e cooperação de dispositivos computacionais ubíquos — ou seja, capazes de se conectar entre si — criando um ambiente de computação imersivo e onipresente.

A RA desempenha um papel fundamental na concretização da visão da Computação Espacial, pois permite que os usuários interajam com informações digitais em tempo real.

Em um ambiente de Computação Espacial, dispositivos como óculos de Realidade Aumentada, wearables e sensores integrados ao ambiente capturam dados do mundo real e os transmitem para sistemas interconectados de processamento. Esses sistemas processam as informações e as devolvem aos dispositivos de RA para sobreposição no ambiente físico.

Dessa forma, a Realidade Aumentada torna-se uma interface essencial para interagir com a Computação Espacial.

Ainda é cedo para saber até onde essas tecnologias irão chegar, mas já existem diversos casos de uso sendo imaginados para o setor bancário.


A Experiência do Cliente do Futuro: Usos da Realidade Aumentada e da Computação Espacial no Setor Financeiro

A Computação Espacial e a Realidade Aumentada têm capacidade para transformar o setor bancário como o conhecemos hoje.

Essas tecnologias revolucionarão tanto a forma como os clientes se relacionam com as instituições financeiras quanto a rotina diária dos colaboradores.

Alguns dos usos que devem surgir no curto prazo incluem:

Interação com Produtos Financeiros

Os bancos poderão utilizar Computação Espacial e RA para permitir que os clientes interajam virtualmente com produtos financeiros.

Por exemplo, por meio de aplicativos desenvolvidos para Apple Vision Pro (ou dispositivos semelhantes), os clientes poderão visualizar e explorar opções de investimentos, empréstimos ou seguros em ambientes virtuais.

Isso proporcionará uma experiência mais imersiva, aumentando o conforto do cliente e ajudando-o a compreender melhor as características e benefícios dos produtos oferecidos.

Atendimento em Agências

A Computação Espacial e a Realidade Aumentada poderão transformar significativamente a forma como os clientes interagem com os funcionários do banco.

Isso pode ir desde mudanças na experiência presencial em agências até a possibilidade de o cliente entrar em um ambiente virtual de sua própria casa e encontrar seu gerente de relacionamento em tempo real — mesmo que ele esteja fisicamente em outro local.

Visualização de Dados Financeiros

Essas tecnologias poderão tornar os dados financeiros mais intuitivos e fáceis de entender.

Por meio de óculos de realidade aumentada, banqueiros e clientes poderão visualizar gráficos, tabelas e estatísticas financeiras sobrepostos ao ambiente real.

Isso facilitará a análise e a tomada de decisões baseadas em dados, já que as informações serão apresentadas de forma mais interativa e contextual.

Educação Financeira

Os bancos também poderão utilizar Computação Espacial e RA como ferramentas educacionais para ensinar conceitos financeiros.

Ao sobrepor elementos virtuais a objetos físicos, será possível explicar termos financeiros, estratégias de investimento e princípios econômicos de forma muito mais visual e prática.

Segurança e Autenticação

A Computação Espacial e a Realidade Aumentada também poderão reforçar ainda mais a segurança dos serviços bancários.

Hoje já existem sistemas biométricos de autenticação, como reconhecimento facial e impressão digital para acesso a contas e transações.

No futuro, outras tecnologias ainda mais seguras, como reconhecimento de íris, poderão ganhar espaço por serem mais difíceis de fraudar.

Está claro que a experiência do cliente nos próximos anos poderá ser completamente diferente da atual.

Imagine a possibilidade de personalizar para cada cliente como deseja que seja a agência ou o ambiente onde será atendido.

Quer ser atendido com praias da Costa Rica ao fundo? Feito.

Prefere conversar sobre investimentos vendo o pôr do sol nas montanhas dos Andes?

Em um ambiente virtual, isso poderá ser totalmente possível.

Por se tratar de uma tecnologia tão nova, muitos casos de uso ainda estão por ser descobertos. Ainda há muito espaço para testes, experimentações e imaginação.

Mesmo assim, especialistas já recomendam que os bancos comecem desde agora a dar passos na direção certa rumo à Realidade Aumentada e à Computação Espacial para estarem preparados para uma corrida que está apenas começando.


5 Passos para Implementar Experiências de Realidade Aumentada e Computação Espacial com Sucesso em Bancos e Instituições Financeiras

O momento de agir é agora.

Uma análise da Gartner estima que, até 2026, um quarto da população mundial passará pelo menos uma hora por dia no metaverso utilizando plataformas de Realidade Virtual, Realidade Aumentada ou Computação Espacial.

No entanto, criar as melhores experiências do futuro não depende apenas da tecnologia em si. O verdadeiro diferencial está na capacidade de adaptação das organizações e em como elas implementam essas tecnologias alinhadas aos objetivos de negócio.

Focar apenas na tecnologia não é a abordagem correta para começar a utilizar essas soluções disruptivas no setor bancário.

Ao contrário, é necessário começar desde já a considerar as implicações dessas tecnologias e desenvolver um plano de ação para implementá-las o quanto antes — ou, no mínimo, estar preparado para quando isso se tornar uma necessidade estratégica.

Jeffrey Castellano, especialista em Metaverso e Computação Espacial da IBM, juntamente com sua equipe, recomenda um plano de ação de cinco etapas para que executivos bancários aproveitem ao máximo essas tecnologias e mantenham a competitividade.

1. Identifique os Benefícios que o Banco Pode Oferecer Hoje

O primeiro passo é definir claramente onde concentrar os esforços.

Os bancos devem identificar quais áreas da experiência do cliente e das operações de negócio podem se beneficiar mais das possibilidades oferecidas pela Computação Espacial e pela Realidade Aumentada, como colaboração remota e integração entre o físico e o digital.

2. Conecte os Mundos 2D e 3D de Forma Natural

Para avançar na direção correta, é fundamental criar experiências onde conteúdos possam coexistir naturalmente em ambientes 2D e 3D.

Isso se aplica a todas as áreas do banco, desde o atendimento presencial até aplicativos utilizados pelos clientes.

Essa abordagem ajuda a identificar rapidamente onde existe valor e quais capacidades precisam ser fortalecidas.

3. Crie Pontos de Transição Realistas

O próximo passo consiste em identificar quando e onde poderá acontecer a transição dos ambientes 2D para experiências 3D, tanto na jornada do cliente quanto nas operações internas.

O segredo está em criar transições fáceis de implementar, práticas e graduais, adicionando camadas 3D pouco a pouco e de forma realmente útil.

4. Defina Métricas-Chave Antecipadamente

Aproveitar as capacidades analíticas já existentes para selecionar os projetos certos de experimentação será fundamental.

Isso permitirá testar, aprender e escalar rapidamente.

Também é recomendável definir previamente métricas e critérios de sucesso para evitar múltiplas rodadas de aprovação durante a implementação.

5. Escolha Parceiros Estratégicos Capazes de Escalar Rapidamente

A última recomendação é trabalhar com o ecossistema de parceiros estratégicos que o banco já possui.

Segundo especialistas, isso facilita a identificação de objetivos compartilhados e capacidades complementares.

O foco inicial deve estar nos parceiros capazes de gerar valor tangível e ajudar a construir as bases operacionais necessárias para escalar no futuro.


Adaptação Infinita: a Próxima Etapa da Inovação Bancária

Não há dúvidas de que as novas tecnologias estão tornando o futuro da indústria bancária cada vez mais surpreendente e interessante.

Está cada vez mais claro que a mudança é constante, a disrupção é o novo normal e que a melhor maneira de atravessar esta nova era já não é apenas focar na Transformação Digital, mas compreender um conceito muito mais amplo e necessário para inovar: Adaptação Infinita.

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