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J.P. Morgan: Pagamentos digitais na América Latina e a necessidade de inovação constante

Publicado por Fintech Americas em 12 de abril de 2023

Em uma entrevista exclusiva, Dennis Santa Paula, do J.P. Morgan, compartilha sua perspectiva única sobre os pagamentos digitais na América Latina.

O desenvolvimento da conectividade, juntamente com a pandemia, reformulou o comportamento do consumidor e acelerou diversas mudanças na região.

A mudança para modelos de negócios digitais que colocam o consumidor no centro da estratégia pode ser percebida em diferentes países, cada um avançando em seu próprio ritmo.

A infraestrutura está evoluindo rapidamente e, em alguns casos, em ritmo acelerado.

Consumidores que nunca tiveram uma linha telefônica fixa agora possuem smartphones conectados à internet.

Os pagamentos em tempo real se tornaram indispensáveis para acompanhar a forma como vivemos atualmente. Métodos alternativos de pagamento, como códigos QR, pagamentos por aproximação e o crescimento de tecnologias que eliminam fricções estão em expansão.

As empresas estão respondendo a esses avanços e, embora existam desafios e oportunidades específicos em cada país, as tendências em pagamentos digitais mostram uma região constantemente em busca de novas soluções.

Nesta entrevista exclusiva, Dennis Santa Paula, Head de Payments & Commerce Solutions para a América Latina no J.P. Morgan, compartilha sua visão sobre o presente e o futuro dos pagamentos digitais na região.

  1. Como você descreveria a evolução digital dos pagamentos na América Latina nos últimos anos e o que podemos esperar no futuro próximo?

Os pagamentos digitais chegaram para promover a disrupção em diferentes setores e incentivar novas formas de otimizar a experiência do usuário e os processos que compõem o ecossistema.

Se considerarmos que 63% dos pagamentos na região (Fonte: PCMI: Payments & Commerce Market Intelligence) já correspondem a pagamentos digitais, podemos concluir que o dinheiro em espécie finalmente perdeu seu reinado.

Há cinco anos, a digitalização dos pagamentos consistia basicamente em migrar do dinheiro físico para os cartões. Hoje observamos que as transferências processadas por plataformas administradas pelos Bancos Centrais (como o PIX, no Brasil), assim como as transferências realizadas por redes de cartões de débito e outras soluções de pagamento, além de carteiras digitais e BNPL (“Buy Now Pay Later”), registram um crescimento significativo, representando cerca de 20% do volume total de pagamentos da região. (Fonte: PCMI: Payments & Commerce Market Intelligence).

O crescimento dos pagamentos digitais é resultado de diversos fatores que acontecem simultaneamente e impulsionam a digitalização, como:

  • Uma experiência simplificada, na qual os consumidores podem abrir uma conta bancária digital em menos de 5 minutos.
  • A facilidade e velocidade dos pagamentos por aproximação, que contribuíram para reduzir o uso de dinheiro em compras de baixo valor.
  • O crescimento de dois dígitos do comércio eletrônico na América Latina.
  • O uso dos smartphones como ferramenta de pagamento.
  1. Como você visualiza o papel dos pagamentos digitais no processo de transformação das empresas na região?

Os consumidores migraram para o digital, e cada empresa precisa evoluir para facilitar o crescimento do ecossistema ao qual pertence. Os consumidores querem pagar de acordo com suas preferências. Por exemplo, se eu sair para correr, quero poder pagar algo usando meu smartwatch. E, se estiver no aeroporto, provavelmente vou querer pagar com meu celular da mesma forma que uso meu bilhete eletrônico para embarcar no avião.

As startups, empresas da “nova economia” e plataformas de comércio eletrônico criaram uma nova dinâmica de negócios, na qual tudo acontece em tempo real, promovendo uma mudança fundamental nos padrões de consumo baseada principalmente em pagamentos digitais.

Pela primeira vez, empresas estão conectando compradores e vendedores de maneira mais integrada, transformando a experiência de pagamento, enquanto os participantes desses ecossistemas exigem experiências totalmente livres de fricção.

Independentemente do setor, conveniência e eficiência impulsionam as empresas a operar de forma mais rápida. Isso pode ser visto na aceleração dos processos procure-to-pay (P2P) e order-to-cash (O2C).

As estratégias de pagamentos em tempo real trouxeram mais eficiência e redução de custos aos processos. Hoje, empresas conseguem validar uma conta bancária em segundos por meio de APIs, algo extremamente útil no cadastro de novos fornecedores ou funcionários.

Com o crescimento das fintechs e dos emissores de moeda eletrônica (também conhecidos como carteiras digitais ou neobancos), uma parcela cada vez maior da população passou a ter acesso a meios de pagamento eletrônicos, o que contribui para o crescimento das vendas online e reduz os riscos e atrasos associados ao uso de dinheiro em espécie.

  1. Quais tecnologias de pagamento que são tendência em outras regiões podem ser relevantes para a América Latina?

As empresas estão se movendo muito rápido e a maioria das tecnologias está sendo implementada simultaneamente em todo o mundo. As organizações passaram a focar no crescimento de suas plataformas, atuando como intermediárias entre compradores e vendedores para facilitar o comércio entre múltiplas partes.

Dessa forma, surgem oportunidades relacionadas à capacidade de atender às necessidades dos clientes por meio de soluções financeiras integradas e pagamentos como serviço (PaaS), que apoiam a incorporação, coleta, gestão e distribuição de fundos entre vendedores e consumidores, ajudando as empresas a crescer por meio de soluções de capital de giro.

Os pagamentos com conversão de moeda estão abrindo espaço para a inovação, oferecendo transações de baixo custo, seguras e em tempo real para qualquer pessoa no mundo, independentemente do horário ou do dia. A América Latina ainda está tentando alcançar outras regiões nesse aspecto.

Em relação ao futuro do setor bancário, existe uma corrida pela inovação voltada ao Open Banking. A Europa, especialmente o Reino Unido, lidera essas discussões, permitindo que outras regiões aprendam com essas experiências.

Na América Latina, ainda há muitas discussões sobre o marco regulatório de Open Banking e seus potenciais benefícios para os consumidores, à medida que governos de diferentes países investem no desenvolvimento e promoção do compartilhamento de dados entre bancos.

Outra tendência que considero fascinante são os pagamentos baseados em dados biométricos, que permitem aos consumidores pagar escaneando o rosto ou a palma da mão. Essa versão de um processo de pagamento simples, rápido e seguro reduz custos de transação e oferece uma solução moderna que coloca o consumidor em primeiro lugar e aumenta seu nível de satisfação.

Por fim, a Inteligência Artificial (IA) é outra tendência relevante, permitindo aos executivos do setor de pagamentos aprimorar seus esforços de resolução de problemas. Sua principal contribuição está em fornecer dados precisos no momento certo para facilitar a tomada de decisão.

Todas essas informações representam benefícios importantes e permitem que as empresas gerem melhores resultados e aumentem seus níveis de conversão.

Isso cria novas oportunidades de crescimento para o comércio, já que proporciona uma compreensão mais profunda do comportamento do consumidor e fortalece o relacionamento com os clientes.

  1. Quais medidas governos e empresas estão adotando para promover a inclusão financeira nos pagamentos digitais?

Governos e empresas estão investindo significativamente no desenvolvimento de identidade digital e em bases abertas de informação para viabilizar validação, verificação e uso de dados biométricos.

Esses investimentos são essenciais para promover a digitalização dos consumidores, não apenas em pagamentos, mas também em acordos assinados eletronicamente com validade legal.

  1. O que as instituições financeiras da região podem fazer para se adaptar mais rapidamente e melhor ao novo ecossistema de pagamentos?

Na maioria dos nossos países, as instituições financeiras têm a oportunidade de participar ativamente da transformação digital promovida pelos governos, reguladores e pela própria indústria.

Uma abordagem colaborativa entre reguladores, bancos e fintechs é essencial e, em alguns casos, pode resultar em um melhor posicionamento para aproveitar as oportunidades do mercado.

Os bancos devem continuar investindo em novas tecnologias para fornecer o suporte e a escala exigidos por este mundo em constante mudança.

Além disso, as instituições financeiras precisam continuar explorando tecnologias que promovam inovação e mudanças disruptivas em diferentes setores. Blockchain é um excelente exemplo disso.

No fim do dia, as organizações mais bem-sucedidas serão aquelas que melhor entenderem seus clientes e conseguirem oferecer soluções e produtos com maior rapidez.

Sobre Dennis Santa Paula

Dennis Santa Paula é Head de Payments & Commerce Solutions para a América Latina no J.P. Morgan. Sob sua liderança estão as equipes de produto responsáveis por desenhar, construir e implementar soluções inovadoras que compõem a proposta de valor da área de Payments na região.

Com 20 anos de experiência em serviços de tesouraria, gestão de liquidez e caixa, câmbio, capital de giro e trade finance, Dennis se posiciona como um dos líderes da estratégia de negócios da J.P. Morgan Payments, com profundo conhecimento das tendências da indústria.

Dennis liderou equipes de vendas e produto na América do Norte, América Latina e Hong Kong. Antes de ingressar no J.P. Morgan, foi responsável por diversos produtos no Citibank. Dennis possui MBA pela Fundação Getulio Vargas, no Brasil.

Adapte sua instituição ao futuro dos pagamentos digitais

Como explica Dennis, os consumidores estão migrando para os pagamentos digitais em velocidade exponencial, e as instituições financeiras que terão sucesso serão aquelas capazes de acompanhar suas demandas.

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Em um evento único, mais de 150 palestrantes compartilharão suas visões sobre as novas tendências em tecnologia para o setor bancário, incluindo metaverso, pagamentos digitais, realidade virtual e muito mais. Entre os destaques estão Dr. Douglas Terrier (Associate Director for Vision & Strategy, NASA), Umar Farooq (Global Head of Financial Institution Payments & CEO, Onyx, J.P. Morgan) e Alejandro Valenzuela (CEO, Banco Azteca y Azteca Servicios Financieros).

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